UTI segura depende da aderência da equipe aos protocolos

Por em Abril 15, 2015

A unidade de terapia intensiva é um local, por definição, de estrutura complexa. Desta forma, qualquer programa que vise aumentar a segurança do ambiente e dos processos deve compreender essa complexidade. De um lado, centenas de procedimentos são realizados, em sequência ou em paralelo. De outro, o sistema confia na memória e no poder de vigilância de profissionais extremamente ocupados e sobrecarregados de tarefas e de informação.

“Portanto, criar uma cultura de segurança implica em mudança de comportamento, de estrutura física que facilite os processos e em incorporação tecnológica, que auxilie na organização e na priorização de tarefas”, explica o Professor Dr. Eliezer Silva,Diretor do Hospital Municipal da Vila Santa Catarina, que será inaugurado em junho de 2015, sob a gestão do Hospital Israelita Albert Einstein.

O Professor acrescenta que uma UTI segura seria, então, aquela que minimizasse, ou até eliminasse, os riscos inerentes aos processos diagnósticos e terapêuticos que se impõem nesse ambiente. “Redução de efeitos adversos a drogas, das taxas de infecção associadas aos cuidados de saúde e de eventos adversos são alguns exemplos que caracterizam uma UTI segura”.

Desafios – A grande barreira a ser vencida é a comportamental, pois mudar a atitude de como os profissionais que atuam nas UTIs enxergam os riscos e os processos que devem ser adotados para mitigá-los sempre é um grande desafio. “Há uma tendência no comportamento do médico, por exemplo, de não questionar o que vem sendo praticado. Esses profissionais são muito bem treinados em questões técnicas, mas não em processos, ou seja, como fazer”, explica.

Quando uma Instituição inicia um processo de qualidade e segurança, no qual o mais importante é o como fazer, esbarra nessa ‘autonomia’ do profissional médico, que têm grande dificuldade em aderir aos processos de segurança. “Acrescentamos também a própria estrutura física que, por vezes, dificulta a criação de um ambiente mais seguro, e a não utilização de tecnologia que auxilie no processo de tomada de decisão”.

Tecnologia em favor da vida – Há várias formas em que a tecnologia é vital para aumentar a segurança, desde a incorporação de um prontuário eletrônico, até o suporte à decisão clínica, com informações qualificadas e estruturadas. “Não podemos esquecer também da família no processo de cuidado, que deve, seja por critérios éticos ou puramente assistenciais, ser envolvida no cuidado do paciente. Essa também configura uma dificuldade de aceitação dos profissionais de saúde que, muitas vezes, se sentem ameaçados na sua autonomia”.

Entender segurança como principal alicerce para uma boa prática clínica é fundamental. Segundo o Professor Eliezer, não se pode causar mais dano que o próprio processo patológico que acomete uma pessoa. “Com um ambiente seguro, alcançamos maior eficácia e eficiência, portanto, além de melhorar os indicadores assistências, ainda atendemos aos preceitos de sustentabilidade do sistema de saúde.”

A implantação de protocolos é um item importante, pois a prática assistencial é ainda muito heterogênea. A diminuição da variabilidade, conseguida por protocolos baseados nas melhores evidências disponíveis, contribui com a melhora na qualidade do cuidado, reduz custos e assegura a satisfação do paciente. Essa padronização, no entanto, requer aderência da equipe médica e multiprofissional, um grande desafio que deve ser superado. “Uma UTI só se torna segura quando as pessoas tornam o ambiente seguro. Seguro para os pacientes, mas também seguro para os próprios profissionais que lá atuam”, finaliza o Professor Dr. Eliezer Silva, que será um dos palestrantes no evento VIII ISICEM – LA (International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine for Latin America), capítulo latino-americano do tradicional evento anual realizado em Bruxelas – considerado um dos melhores simpósios de terapia intensiva do mundo. O encontro será de 17 a 20 de junho, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

 

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