RS: sindicato denuncia Mais Médicos na Associação Médica Mundial

Por em outubro 22, 2014

O presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes, denunciou na Assembleia Geral da Associação Médica Mundial “como aluguel de mão de obra médica” o contrato entre Brasil e Cuba para abastecer o programa Mais Médicos. O representante brasileiro fez um relato do convênio firmado entre os governos brasileiro e cubano em que, em números redondos, de cada cinco dólares pagos pelo trabalho aos profissionais daquele país, quatro são sequestrados pelos exploradores do trabalho médico. A assembleia foi realizada até a semana passada, em Durban, na África do Sul.

Essa situação, segundo Argollo, “é um grave atentado ao direito de todos à justa remuneração pelo seu trabalho”. A apropriação indevida da parte mais substancial da remuneração obtida pelos médicos gerou críticas contundentes por parte de congressistas de vários países.Segundo Argollo, o representante espanhol foi incisivo ao afirmar que a prática merece o repúdio da comunidade médica mundial e representa um ataque inaceitável ao direito de todo cidadão, médico ou não, a receber a justa remuneração pelo seu trabalho.

Argollo fez breve relato sobre o Programa Mais Médicos e ressaltou que profissionais reprovados na prova de revalidação de diploma estão trabalhando livremente, acobertados pelo governo brasileiro, “desde que só atendam pobres”. Para o sindicalista, ao limitar a atuação desses profissionais ao SUS, proibindo-os de atender pacientes privados ou conveniados, o governo cria um cidadão de segunda categoria, que por ser dependente do SUS pode ser atendido por médicos reprovados, enquanto os mesmos médicos são proibidos de atender serviços privados, ou “os que o governo considera cidadãos de primeira categoria”.

A Associação Médica Mundial já havia mostrado preocupação com a abertura indiscriminada de faculdades de medicina, considerando que todos os pacientes têm direito a atendimento de qualidade e não podem ter sua saúde ameaçada por profissionais sem a adequada formação. A assembleia criticou ainda o notório despreparo dos governos para lidar com epidemias, como a do Ebola, que se alastra pela África e já atinge outros continentes. (Informações do SIMERS)

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