Réu confirma denúncias de fraude no plano de saúde dos Correios à CPI das Próteses

Por em junho 16, 2015

O réu confesso João Maurício Gomes da Silva confirmou nesta terça-feira (16) as denúncias que chegaram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia de Órteses e Próteses. Uma única cirurgia de coluna custou quase R$ 1 milhão. No mercado, sairia por R$ 200 mil.

O esquema do qual fez parte o ex-assessor técnico da Direção Regional dos Correios no estado do Rio Janeiro teria desviado aproximadamente R$ 10 milhões da gerência de saúde dos Correios no Rio.

Além do custo, João Maurício disse que ficou surpreso com a rapidez da aprovação. “Ela deu uma passagem dentro da gerência que nenhuma outra cirurgia havia dado. Parece que em 20 e poucos dias ela deu entrada, foi aprovada e paga.”

O presidente da CPI, deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), enfatizou que a urgência é algo que aproxima o formato do esquema do Rio com aqueles investigados pela CPI das Órteses e Próteses. “Nesse caso, havia um componente extra: a justiça. São médicos, distribuidoras, advogados que fazem uma profusão de liminares, recorrem aos tribunais com um único objetivo: auferir lucros, através de propinas.”

Para o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), a mudança passa pelo Judiciário. “Estão usando o Judiciário de forma malandra e o Judiciário está de olhos vendados, ou rendido, validando esse tipo de procedimento. Nós temos que desmontar esse esquema; essa é a razão de ser da CPI.”

A reportagem do Fantástico que denunciou a máfia mostrou um esquema do mesmo tipo, com comissões e orçamentos falsos, no plano de saúde dos Correios no Rio de Janeiro. “Segundo investigação do Ministério Público e da Polícia Federal, Silva comandou esquema de corrupção na Gerência de Saúde dos Correios do Rio de Janeiro. Somente no período entre 2011 a 2013, o prejuízo computado é de mais de R$ 7 milhões aos cofres da estatal”, afirmou o deputado Dr. João (PR-RJ), que pediu o depoimento de João Maurício.

Funcionamento da CPI
A preocupação dos deputados agora é com o prazo: a CPI deve funcionar até 17 de julho, a menos que seja prorrogada.

O relator, deputado André Fufuca (PEN-MA), trabalha com as duas hipóteses. “As pessoas que foram indiciadas na CPI, as autoridades vão investigá-las. As notas, as quais a CPI pediu por requerimento e teve acesso, elas serão averiguadas pelas autoridades competentes. Então, nós não podemos dizer que nós vamos ter um prejuízo absurdo na CPI.”

Para o deputado, com um a três meses a mais a CPI poderá avançar; “porém o que vem demonstrando em todo o País e em todas as fábricas que fazem isso é a utilização do mesmo método: cirurgias superfaturadas, cirurgias sem necessidade e médicos recebendo comissão.”

Os deputados aprovaram ainda 17 requerimentos, com pedidos de investigação ou de convocações. Muitos pedidos têm relação direta com casos ocorridos em Montes Claros, em Minas Gerais. A Polícia Federal realizou uma operação na cidade e apontou a existência de um esquema de desvio de materiais de hospitais públicos e a realização de cirurgias em troca de propina. A CPI deve ir até a cidade para ouvir vítimas, testemunhas e acusados.

*Informações da Agência Câmara

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