Relação médico-indústria foi tema de palestra do Cremesp

Por em novembro 3, 2016

“Os médicos devem discernir entre as facilidades oferecidas pela indústria farmacêutica e os reais benefícios de seus medicamentos para a população, além de estar atentos para não serem transformados em agentes anunciantes dos resultados de novas drogas publicadas em periódicos científicos de renome”, afirmou o diretor e primeiro secretário do Cremesp, Bráulio Luna Filho, durante sua palestra sobre Os limites da relação Médico versus Indústria na visão do CRM. O tema foi abordado como parte da programação da 3ª edição do Simpósio Paulista de Oncologia (SP-Onco), realizado pelo Comitê Estadual de Referência em Oncologia do Estado de São Paulo, no dia 27 de outubro.

Luna Filho apresentou um cenário global com os últimos investimentos no desenvolvimento de novas drogas, demonstrando de forma inquestionável um avanço legítimo na área da saúde. “Embora os novos medicamentos beneficiem um número representativo de pacientes, sabe-se que este é um mercado extremamente lucrativo. A indústria farmacêutica é eficiente em suas pesquisas, sabe o que faz, entende o que o mercado precisa e como ele funciona”, disse. Para ele, o problema não está diretamente ligado à pesquisa de novos medicamentos e drogas, mas na forma como seus resultados são divulgados e como estes resultados chegam até a população leiga.

Ética
O Código de Ética Médica chama a atenção para o exercício da profissão com interferência ou ligação com a indústria farmacêutica, garantindo a independência do médico que mantém relação com o setor e repudiando a divulgação ou publicação de resultados de pesquisas não verdadeiros em benefício da indústria.

Citando os princípios da ética de Kant, o diretor do Conselho acredita que é preciso entender e conhecer o limite das relações profissionais e torná-las éticas a partir de bons exemplos, punindo comportamentos inadequados.

Ao referir-se aos conflitos de interesse com a indústria de órteses, próteses e materiais especiais (OPME), o diretor do Cremesp citou a Resolução nº 273/2015, publicada pelo Conselho, que estabelece critérios para a relação entre os médicos e essas indústrias,  responsabilizando diretores técnicos e clínicos dos hospitais quanto à normatização dos fluxos desses materiais e métodos diagnósticos.

Judicialização da saúde
Ainda no contexto da relação entre o médico e a indústria, o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip, demonstrou os problemas que enfrenta em seu orçamento quando recebe notificações judiciais para a liberação de medicamentos e tratamentos não fornecidos pelo Sistema Único de Saúde. Para ele, é fundamental criar um banco de dados que possibilite levar ao conhecimento de toda a sociedade, com acesso fácil e rápido, os gastos agregados à pasta. “Queremos fazer o melhor para o paciente, mas é preciso ponderar limites e demonstrar claramente o que é possível e o que não é”, afirmou Uip. E conclui: “não temos problemas apenas no que diz respeito aos custos dos medicamentos, mas também àqueles relacionados aos procedimentos de alta complexidade, e por essa razão é fundamental avaliar e estabelecer custo e efetividade”.

*Informações do Cremesp

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