FEHOESP realiza pesquisa pública sobre morte digna

Por em setembro 1, 2017

Ouvir a opinião de toda sociedade sobre o polêmico tema da morte digna é o objetivo da pesquisa pública que a FEHOESP- Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo está lançando em seu portal fehoesp 360.

Qualquer cidadão pode participar e preencher os dados da pesquisa, que pretende saber o que a população brasileira pensa sobre o tema da morte e do testamento vital . Em 16 questões de múltipla escolha, a entidade quer saber, por exemplo, se a vontade do paciente na hora da morte deve prevalecer sobre a vontade do médico e/ou sobre a vontade dos familiares.

Testamento vital é um documento redigido por uma pessoa no pleno gozo de suas faculdades mentais, com o objetivo de dispor acerca dos cuidados, tratamentos e procedimentos que deseja ou não se submeter quando estiver com uma doença ameaçadora da vida, fora de possibilidades terapêuticas e impossibilitado de manifestar livremente sua vontade.

Objetivo da FEHOESP é abrir um amplo debate sobre esse tema tabu na sociedade brasileira e levar a questão a ser regulamentada por projeto de lei para garantir o direito do paciente de escolher antecipadamente os procedimentos que quer ou não receber em seu momento final . E , ao mesmo tempo, oferecer segurança jurídica para médicos, hospitais e profissionais de saúde.

Segundo o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, existe atualmente grande temor dos médicos e hospitais de cumprir o pedido de um paciente terminal, caso ele não queira, por exemplo, receber tratamentos invasivos. ” Há receio de processos judiciais , pois não há garantia jurídica para que serviços e profissionais de saúde cumpram diretivas antecipadas da vontade do paciente sem correr riscos”, constata.

No entanto, ressalta Ali Mere Jr, respeitar o direito do paciente de ter uma morte digna ou ” boa” morte é muito diferente da eutanásia, procedimento de antecipação da morte.

A morte digna refere-se a uma morte natural , sem a interferencia de procedimentos invasivos e dolorosos. Esse novo conceito está associado aos cuidados paliativos , uma nova especialidade médica, que pretende oferecer tratamentos multidisciplinares ao doente para minimizar sua dor física e emocional e oferecer a possibilidade de uma morte digna.

A pesquisa segue com perguntas claras e diretas como quais cuidados ou tratamentos o paciente não poderia recusar mesmo diante de uma doença fora de possibilidades terapêuticas. E cita, entre outras, internação em UITI, respiração artificial, nutrição artificial, hidratação artificial etc.

Questiona se adolescentes entre 16 e 18 anos poderiam ter o direito de fazer o testamento vital .E levanta a questão sobre a criação de um banco de dados que centralize todos os testamentos vitais no Brasil e esteja à disposição dos hospitais e das equipes de saúde mediante acesso restrito.

Em 30 dias , a FEHOESP vai apurar o resultado da pesquisa e, a partir de seus resultados, deverá sugerir um projeto de lei ao Congresso Nacional , que será encaminhado à Comissão de Seguridade Social , propondo que o testamento vital vire lei , garantindo direitos dos pacientes e resguardando médicos, trabalhadores e serviços de saúde.

Responda a pesquisa, clicando aqui.

*Informações da Fehoesp

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