Cremesp: Bioética e a violência contra a mulher

Por em dezembro 4, 2017

Médicos e profissionais da saúde devem se comprometer com o problema que a violência contra as mulheres representa para a saúde. Esta é a opinião do presidente do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim, na apresentação do livro Bioética e a violência contra a mulher – Um debate recorrente entre profissionais da Saúde e do Direito, editado pelo Cremesp, e lançado na última quarta-feira (29/11). Ainda, segundo Camarim, “a medicina é vocacionada para contraditar a violência”.

A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Lília Blima Schraiber, também concorda que “a medicina  tem o compromisso ético de defender a vida, a vida melhor”. Co-autora da obra, Schraiber explanou sobre o tema em sua palestra proferida na cerimônia de lançamento do livro, ocorrida no plenário da sede do Cremesp, em São Paulo, que contou com a presença de profissionais da área da saúde e representantes de diversas entidades e instituições.

Estavam presentes à mesa de lançamento, o conselheiro e coordenador do departamento Jurídico do Cremesp, Mauro Aranha, que representou o presidente do Conselho; os organizadores da obra: conselheiro e coordenador do Centro de Bioética do Cremesp, Reinaldo Ayer de Oliveira, Janice Caron Nazareth e Nadir Eunice Valverde Babato de Prates, membros do Conselho Consultivo do Centro de Bioética; a médica e coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Navis) do HC da FMUSP, Ivete Boulos; o escrivão-chefe da Delegacia de Defesa da Mulher, Josias Afonso Viana de Oliveira; e o redator e editor do livro, Aureliano Biancarelli e a palestrante da noite, a professora Lilia. (Confira o discurso da palestra na íntegra neste link).

A obra

Bioética e a violência contra a mulher surgiu a partir de um seminário promovido pelo Cremesp, no qual diversos especialistas expuseram suas ideias sobre o tema. Os textos foram revisados e, em alguns casos, ampliados pelos autores. Entre outras, são focalizadas, em mais de 20 capítulos, questões como ‘Perfil da brasileira que sofre violência’; ‘Maioria das mulheres assassinadas morre pelas mãos do homem que ama’; ‘Delegacia da Mulher: acolhimento ou humilhação?’; e ‘O abuso sexual como conflito ético no Conselho Regional de Medicina de São Paulo’.

O poder pela força

Para Mauro Aranha, “a masculinidade ainda se impõe pela força, que é a ausência do poder legitimado, segundo a filósofa Hannad Arendt, negando-se a partilhar o poder com a mulher, por meio da violência doméstica, nas ruas e, até mesmo, da violência simbólica como a representada pelas instituições, que ainda refletem a desigualdade de gênero”. A mulher “tem dificuldade de fazer valer sua trajetória de vida”, salientou Aranha, lembrando que, até o surgimento das obras dos filósofos Hegel e Kant, o pensamento ocidental acreditava que o espírito humano atingiria a perfeição, progressivamente, “mas esses pensadores demoliram essa expectativa”.

Bioética e a violência contra a mulher é “um ponto de partida, que passa a ser uma obra de referência nessa área”, observou Reinaldo Ayer, acrescentando que o Centro de Bioética do Cremesp “já está pensando em um segundo seminário e um segundo livro sobre o tema”.

“É incrível que com tantos avanços ainda tenhamos tanta violência. Temos de criar meios de enfrentá-la. Essa obra traz um material muito rico e demonstra que o Cremesp e seu Centro de Bioética importam-se com esse tema”, afirmou Janice Nazareth. Agradecendo a todos os presentes, Nadir Prates parabenizou o Cremesp e salientou que o livro “é fruto do esforço dos conferencistas do simpósio e do cuidado de todos os envolvidos”.

Para Ivete Boulos, é preciso que os médicos perguntem às suas pacientes sobre violência. “Na anamnese, perguntamos até mesmo sobre os antepassados do paciente, mas nunca nos ensinaram a indagar se o paciente ou a paciente sofre alguma violência; a mulher não fala e o médico não pergunta”. Bioética e a violência contra a mulher “vem colocar uma luz sobre um problema que está no cotidiano de nossa sociedade, quase como uma epidemia silenciosa”, afirmou.

“Aprendi, durante os seis anos na Delegacia da Mulher, que feminismo é para todos, homens e mulheres. Ouvimos histórias inimagináveis, que vamos levar para nossa vida inteira”, destacou Josias de Oliveira. Citando o filósofo Jean Paul Sartre, ressaltou que “não importa a forma como a violência ocorra, ela é sempre uma derrota; e eu espero que consigamos uma vitória sobre ela”.

Interessados em receber a obra devem entrar em contato com a Biblioteca do Cremesp, pelo telefone (11) 4349-9982.

*Informações do Cremesp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *