CFM debate interface entre uso da maconha e as especialidades médicas

Por em Abril 1, 2019

Durante o Fórum sobre a Maconha, promovido pelo CFM nos dias 28 e 29 de março, em Brasília, foi realizado um debate sobre os efeitos do uso do psicotrópico em especialidades médicas como pediatria, pneumologia e psiquiatria. No início da mesa redonda “O consumo de cannabis é inofensivo à saúde humana? Evidências científicas nas especialidades médicas”, o moderador, conselheiro federal Sidnei Ferreira, esclareceu que o CFM tem o papel de mediar a discussão, “ouvindo todos os lados”.

O primeiro palestrante da mesa foi o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que mostrou aa visão da psiquiatria sobre o uso da maconha. “Os jovens usuários têm mais dificuldades para terminar o ensino médio e poucos concluem a faculdade. Também ganham menos e têm menor empregabilidade, além do perigo de desencadearem surtos psicóticos”, afirmou. Segundo o psiquiatra, a legalização da droga no Colorado dobrou o número de usuários em um ano. “É fato, a facilidade de acesso aumenta o consumo, principalmente entre os adolescentes”, denunciou Laranjeira. A apresentação pode ser acessada aqui.

Para a psicóloga Maria Alice Fontes, responsável pelo tópico “Efeitos neuropsicológicos ao longo da vida”, o usuário da maconha apresenta problemas de memória operacional, perda de QI e de controle inibitório e falta de atenção, entre outros problemas. “Mesmo após o fim do consumo, os efeitos continuam”, argumentou. A apresentação pode ser acessada aqui.

Um dos autores da cartilha “A tragédia da maconha – causas, consequências e prevenção”, editada pelo CFM, o médico Alberto Araújo falou sobre a visão da pediatria acerca da droga. “O jovem que fuma maconha tem seis vezes mais possibilidade de não concluir o ensino médio”, afirmou. Segundo o médico, há hoje uma banalização do termo maconha medicinal. “E quanto menos o jovem achar que a droga é ofensiva, mais ele vai se expor ao risco”, criticou. Acesse a apresentação aqui.

A visão da pneumologia e da clínica sobre a maconha foi apresentada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, José Miguel Chatkin. “Quem fuma maconha faz inalação profunda e a maior apneia que pode, o que vai afetar o sistema respiratório”, afirmou. Acesse a apresentação aqui.

Combate – A “Prevenção no uso da maconha na infância e na adolescência”, foi o tema da terceira mesa do Fórum. O primeiro palestrante foi o fundador da ONG Freemind e diretor da International Society of Substance Use Professionals, Paulo Martelli, que falou da sua experiência no atendimento a dependente químicos e falou sobre a importância da mídia no combate às drogas. Acesse a apresentação aqui. Em seguida, a membro da Comissão para Controle de Drogas Lícitas e Ilícitas, criador do programa Dr. Bartô e também um dos autores da cartilha sobre maconha editada pelo CFM, João Paulo Lotufo, falou sobre a necessidade de se prevenir o consumo da maconha entre os jovens. “Países tolerantes com a droga, como a Holanda, estão fechando seus coffee shops. E fazem isso porque concluíram que ela não é boa. Afeta a produtividade dos jovens e, consequentemente, do país”, defendeu. Acesse a apresentação aqui.

A professora do departamento de medicina preventiva da Unifesp, Zilá Sanchez, também defendeu ações preventivas. “Nos Estados Unidos foi provado que a cada um dólar investido em prevenção, economiza-se 18 dólares em tratamento”, comentou. Para Zilá, a prevenção deve conter ações universais, seletivas e primárias. “Temos de redobrar nossos cuidados, pois hoje há uma diminuição, entre os jovens, da percepção dos riscos da maconha”, alertou. Acesse a apresentação aqui. A última palestrante da mesa foi a terapeuta ocupacional e professora da Universidade de Brasília Andrea Galassi, que falou sobre sua experiência no Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas, que atende adolescentes em conflito com a lei. “O consumo de drogas é mais um problema entre tantos que enfrentam, como violência doméstica, rompimentos familiares e abandono na escola”, relatou. Para Andrea, a educação tem um papel fundamental nos trabalhos de prevenção. “Muitas vezes a família é desestruturada, daí porque a escola é importante”, defendeu. Acesse a apresentação aqui.

O Fórum sobre a Maconha continua nesta sexta-feira (29) e pode ser acompanhado aqui.

(Informações do CFM)

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