CFM analisa desafios éticos surgidos com a pandemia

Por em junho 22, 2020

A relação médico-paciente em tempos de covid-19 e a Ética deontológica x Ética utilitarista. Esses foram os temas de apresentação virtual promovida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e transmitida por meio do canal oficial da entidade no YouTube. Durante a 1ª Webinar Bioética em Tempos de covid-19 – acompanhada por quase mil espectadores –, especialista convidado Prof. Dr. Rui Nunes debateu com o público sobre as abordagens éticas e bioéticas frente ao novo coronavírus, agente responsável pela contaminação de quase um milhão de pessoas, até o momento, somente no Brasil.

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Conforme destacou a 2ª Secretária do CFM e editora geral da Revista  Bioética, Tatiana Giustina, uma das maiores pandemias do século XX vem trazendo consigo mudanças devastadoras nas questões humanas e éticas. “O contexto em que o mundo vive nestes seis primeiros meses de 2020 são atípicos às gerações moderna e contemporânea. No último século é certo que a humanidade sofreu com as duas grandes guerras mundiais que assolaram o mundo, e ceifaram milhares de vidas. Situações como essa aceleram mudanças sociais e culturais profundas”.

Ao mediar as apresentações, o tesoureiro do CFM, doutor e pós-doutor em Bioética, José Hiran da Silva Gallo, ressaltou a preocupação da omissão de socorro estrutural no Brasil. “Temos que dar dignidade para morte e dar o mínimo de assistência aos nossos pacientes. Autonomia e privacidade devem ser respeitadas”.

Princípios – Durante o encontro online, o professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e editor científico da Revista Bioética do CFM, Rui Nunes, defendeu o respeito pelo “valor intrínseco da pessoa humana, pela sua dignidade e direitos fundamentais”. Para ele, esta valorização pressupõe que o paciente seja considerado além de sua doença, tendo-se em conta sua gravidade e a gestão de recursos disponíveis para o tratamento.

Segundo Nunes, ainda hoje é um desafio ético e humano criar ferramentas novas, que entrem em acordo com o momento e a realidade que vivemos. Ele defendeu que sejam definidos critérios claros que regulem, através de um quadro ético bem definido, a priorização de socorro a doentes infectados com a doença. Na exposição, o palestrante ainda defendeu que o médico precisa usar de todas as ferramentas de tecnologias possíveis para atender o seu paciente, especialmente na pandemia, mas que jamais deve-se “trocar a presença humana por uma mediação tecnológica”.
O palestrante ainda disse considerar interessante observar que, em todos os pontos do mundo, os médicos foram reconhecidos como profissionais de excelência e dedicados, muitas vezes colocando os direitos dos pacientes a frente dos próprios interesses. “As manifestações de apoio em todo mundo, pelos governantes e sociedade, mostraram não só o prestígio da profissão, mas sobretudo essa ‘alma mater’ que é o conjunto de princípios que todos nós juramos e que no dia a dia fazemos respeitar”.

Por fim, o palestrante respondeu ainda algumas das questões enviadas pelos espectadores. Para enfrentar essa nova realidade, o Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Revista Bioética, organizará mais duas edições: nos dias 30 de junho e 9 de julho. Para se inscrever, o médico deve preencher formulário específico no site de eventos do CFM: www.eventos.cfm.org.br.

*Informações do CFM

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