Bolsistas do Programa de Pesquisa em Bioética e Ética do Cremesp apresentam os projetos finalistas

Por em Abril 5, 2018

Os estudantes de Medicina contemplados no Programa com bolsas de pesquisa em Bioética e Ética Médica do Centro de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) expuseram, na última terça-feira (03/04), os trabalhos que obtiveram melhor resultado em 2017.

Os alunos foram recepcionados no plenário do Conselho pelo presidente Lavínio Nilton Camarim, que apresentou os três estudantes e os seus respectivos projetos. “Esta é uma oportunidade de afirmar o compromisso do Conselho em estimular o campo da pesquisa. Acreditamos que este incentivo é muito importante para conseguirmos manter a qualidade do ensino”, disse Camarim.

Temas

Os bolsistas apresentaram a versão final de cada projeto. A aluna da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Julia Messina Gonzaga Ferreira, estudante da Faculdade de Ciências Médicas –, abordou o tema Profissionais de Saúde: Um ponto de vista sobre a morte e a distanásia; Karoliny Lima Lopes de Souza, aluna da Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos, retratou a Judicialização do Direito à Saúde: Conflitos Éticos Sob o Ponto de Vista dos Acadêmicos de Medicina e do Direito; e Gabriel Vergili Sgarbosa, aluno da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a pesquisa O nível de conhecimento dos alunos de Medicina da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto sobre o Cremesp e a percepção do impacto de uma liga acadêmica de Ética Médica e Bioética na difusão de conhecimentos pelos acadêmicos do curso de Medicina.

Durante a primeira apresentação, a estudante Julia Messina Gonzaga Ferreira dissertou sobre o tema, que teve apelo pessoal como fator decisório. “É uma honra transformar minha história pessoal em contribuição para a comunidade científica”, elucidou Ferreira, que abordou o assunto sobre terminalidade da vida. “Mesmo sendo recorrente entre os profissionais de saúde, a morte ainda causa muito desconforto na sociedade. Não temos uma formação que aborda esta questão. Quando evitamos falar sobre o assunto, surgem práticas, conhecidas como a distanásia”, disse.

Conhecida como o prolongamento da morte, a distanásia consiste em obstinação terapêutica, que investe em procedimentos invasivos, causando sofrimento ao paciente. O estudo mostrou, sob um ponto de vista, a morte e a percepção do profissional de saúde diante da eminência da morte dos seus pacientes. O trabalho em questão concluiu que os profissionais sentem que o aprendizado sobre terminalidade acontece na prática e que não há uma formação teórica que auxilie no dia a dia.

Diante disso, outro fator preocupante apontado no estudo é o desconhecimento dos profissionais sobre os conceitos eutanásia, ortotanásia e distanásia. Segundo Julia,  o profissional de saúde não tem a formação adequada, “o profissional não reflete adequadamente sobre estes conceitos e não aplica na prática. É muito importante essa reflexão sobre a morte e reforçar a comunicação e a conscientização durante a sua formação”, salientou.

Para explicar o segundo projeto, Karoliny Lima Lopes de Souza falou sobre Judicialização do Direito à Saúde, que explorou casos hipotéticos para elucidar situações em que estudantes de Medicina e de Direito pudessem decidir qual conduta escolher diante dos casos apresentados. Como resultado do trabalho, foi exposta uma reflexão sobre a realidade da saúde que entra em confronto com recursos cada vez mais escassos. “Diante dos casos explorados nos questionários, vem a reflexão sobre os recursos disponíveis. Fica o questionamento: até que ponto o processo de judicialização do direito à saúde será sustentável?”, questionou Souza.

Finalizando as apresentações, o aluno Gabriel Vergili Sgarbosa expôs o conhecimento dos alunos sobre o Cremesp e a percepção do impacto de uma liga acadêmica de Ética Médica e Bioética na difusão de conhecimentos pelos acadêmicos. Ao analisar o trabalho da liga acadêmica, o tema foi levantado após verificar a percepção dos alunos sobre as atividades do Conselho, “percebemos um distanciamento, uma proximidade inacessível dos alunos com o Cremesp. Com isso, a liga veio para aproximar e facilitar este contato”, afirmou Sgarbosa. Ainda sobre a iminência dos estudantes com o trabalho do Conselho, Sgarbosa esclareceu que a pesquisa ressaltou a importância que Código de Ética do Estudante de Medicina tem ganhado entre os estudantes. “A exposição precoce dos estudantes ao código, proporcionou uma percepção maior de conhecimento”. O projeto concluiu, também, que os estudantes estão dispostos a investirem para aprender sobre Ética Médica e Bioética.

Para encerrar as apresentações, o conselheiro e coordenador do Centro de Bioética do Cremesp, Reinaldo Ayer Oliveira, parabenizou os projetos e acrescentou o sucesso do programa, que tem ganhado força entre os alunos.  “A partir da criação deste programa, o Conselho conseguiu se aproximar, praticamente, de todas as faculdades de Medicina do estado de São Paulo. Esta foi uma maneira de estimular os alunos para que procurassem e se aproximassem do Cremesp”, concluiu Ayer.

O Programa

Vigente desde 2001, o Programa de Bolsas para estudantes destina-se a alunos do 2º ao 5º ano de Medicina – ou cursando do 3º ao 10º semestre da faculdade – de todas as faculdades regulares com o MEC. As pesquisas devem versar sobre o tema “Ética Médica” e “Bioética”.

*Informações do Cremesp

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