Anvisa publica relatório de produção dos bancos de tecidos

Por em junho 24, 2020

Já está disponível para consulta o Relatório de Avaliação dos Dados de Produção dos Bancos de Tecidos de 2019. O documento, que reúne informações sobre a produção dos bancos de tecidos em funcionamento no país, tem como objetivo informar à sociedade e ao setor regulado os indicadores utilizados pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) para o monitoramento dos respectivos estabelecimentos.

Esta edição do relatório contém informações sobre 46 bancos de tecidos oculares, seis bancos de tecidos musculoesqueléticos e quatro bancos de pele, além de apresentar os dados do único banco de tecidos cardiovasculares, localizado na região Sul do país. As informações foram envidas à Anvisa por 92% dos bancos de tecidos oculares que estavam em funcionamento no ano passado e por todos os demais tipos de bancos.

Os bancos de tecidos são estabelecimentos que realizam a triagem clínica, social, física e laboratorial dos doadores, a retirada, a identificação, o transporte, o processamento, o armazenamento e a disponibilização dos tecidos humanos, de modo a garantir a sua qualidade e a sua segurança.

Bancos de tecidos oculares

Os dados de 2019 mostram uma queda no número de doadores e, consequentemente, de tecidos oculares obtidos, preservados, descartados e disponibilizados para uso quando comparados a 2018. Isso, no entanto, pode ser devido ao fato de que nem todos os bancos em funcionamento enviaram seus dados de produção à Anvisa.

Os bancos cujos dados fazem parte do relatório estão presentes em todas as regiões brasileiras: 16 no Sudeste (35%), 13 no Sul (28%), nove no Nordeste (20%), cinco no Centro-Oeste (11%) e três no Norte (6%).

Para se ter uma ideia do volume alcançado, foram 15.729 doadores e 27.998 globos oculares obtidos, com 26.707 córneas. Dessas, foram disponibilizadas 17.549 córneas para transplante.

É importante esclarecer que, após a avaliação de qualidade pelos bancos, alguns tecidos são desqualificados por não estarem aptos para uso em transplantes. Se for levada em consideração a quantidade de tecidos descartados (globos oculares e córneas) em relação ao total de tecidos obtidos, o percentual de desqualificação é de 45%. Os principais motivos para desqualificação foram: achados na microscopia que inviabilizam o uso do tecido, presença de contraindicações na triagem clínica e social do doador (por exemplo, histórico de doenças) e sorologia reagente para hepatite B.

Bancos de tecidos musculoesqueléticos

Em 2019, houve um aumento de 10% na quantidade de doadores de tecidos musculoesqueléticos, comparado a 2018. Foram obtidas 1.379 peças de tecidos musculoesqueléticos (tecido ósseo, tendão, fáscia e cartilagem, inteiros ou em pedaços, retirados do doador), transformadas em 13.782 unidades após o processamento. Dessas unidades, 83% foram fornecidas para o uso na área de odontologia e 17% para ortopedia.

Também conhecidos como bancos de ossos, esses estabelecimentos estão concentrados nas regiões Sudeste e Sul do país.

Bancos de pele

Os bancos de pele registraram, em 2019, um aumento de 51% na quantidade de doadores, comparado ao ano anterior. A quantidade de pele disponibilizada para uso também teve um incremento considerável: quase o dobro de 2018. Quantidades de pele foram desqualificadas por microbiologia positiva, mas alguns bancos contam com protocolos para esterilização, o que possibilita o uso desses tecidos.

Banco de tecidos cardiovasculares

A fonte do banco de tecidos cardiovasculares é o coração que, após ser captado, é levado para o processamento, etapa em que são obtidos os tecidos cardiovasculares. Foram captados, no ano passado, 205 corações, sendo que 15% deles foram desqualificados, entre outras razões devido a contraindicações na triagem clínica, social e física do doador, problemas com a amostra sanguínea e falta de insumos. Um total de 189 tecidos foi disponibilizado para uso, dos quais 154 foram transplantados, ou seja, um aproveitamento correspondente a 81%.

*Informações da Anvisa

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