CFM restringe uso de Plasma Rico em Plaquetas

Por em janeiro 21, 2016

O tratamento de doenças musculoesqueléticas com o uso do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) foi definido como prática experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Plenário da autarquia aprovou a Resolução 2.128/2015, que restringe o uso do PRP à experimentação clínica, dentro dos protocolos do sistema de Comitês de Ética e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP). De acordo com a norma, a atividade de pesquisa deve “ser conduzida em instituições devidamente habilitadas e que atendam às normas do Ministério da Saúde para o manuseio e uso de sangue e hemoderivados no país”, diz a resolução.

A técnica de uso do Plasma Rico em Plaquetas tem sido usada na medicina esportiva como “alternativa para acelerar a regeneração de tecidos lesionados, tais como músculos, tendões, ligamentos e articulações”, explica a norma. O documento orienta que o uso clínico do PRP seja considerado como tratamento promissor, mas ainda experimental. De acordo com o coordenador da Câmara Técnica de Hematologia e Hemoterapia, Luís Henrique Mascarenhas, a intenção é possibilitar a realização de pesquisas para produzir dados científicos concretos que permitam a liberação do uso da técnica no Brasil com segurança.

Mascarenhas ressalta que ainda é necessário definir “as indicações clínicas para seu uso, número de infusões, além dos critérios de seleção dos pacientes quanto a outros aspectos, como o risco de contaminação do produto por bactérias já presentes na circulação do doador, entre outros”.

A preocupação do Conselho é garantir que o procedimento não traga riscos. “Existe toda uma preocupação com a segurança no preparo para que não haja possibilidade de se passar uma doença transmissível através desse componente ou de causar alguma reação inesperada num paciente se ele for mal preparado ou mal acondicionado”, alega o especialista em Hematologia e Hemoterapia – Luís Henrique Mascarenhas.

A Resolução CFM 2.128/2015 está disponível no portal do Conselho pelo link http://goo.gl/NvKS63

*Informações do CFM

3 Comentários

  1. Olivares Rocha

    22/01/2016 at 16:43

    Uso há vários anos e nunca apresentou efeito colateral. Desculpa esfarrapada pra proteger o mercado…
    Em vários países sérios o PRP é de livre uso há décadas…
    Ademais, a segurança não está no controle de como aplicam, mas somente no produto usado. Ora, até uma injeção em posto de saúde pressupõe riscos inerentes.Como não há riscos de complicações ou reações adversas pelo simples fato de que é o próprio sangue do paciente e não um lucrativo remédio paliativo…inventam uma desculpa parva como essa

  2. Walter Medeiros

    23/01/2016 at 16:52

    CFM dificulta tratamentos e Anvisa
    trabalha a reboque da Rede Globo

    Mais um documento tendencioso é produzido pelo Conselho Federal de Medicina – a Resolução CFM nº 2.128/2015, que Considera o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) como procedimento experimental. Esta resolução vem tão somente corroborar o Parecer CFM nº 20/11. O parecer foi uma resposta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa que, ao invés de se dedicar ao trabalho profissional para assegurar a saúde pública dos brasileiros, prefere basear seu trabalho nos programas de Televisão. Da mesma forma que procedeu em 2007, ao fazer consulta sobre auto-hemoterapia por conta de matéria veiculada no Fantástico, em 2011 a mesma Anvisa pediu parecer sobre PRP devido a matérias veiculadas no Fantástico e Esporte Espetacular.

    O CFM, por sua vez, age mais como tribunal penal que como órgão profissional. Ao invés de colaborar para a comprovação da eficácia de técnicas que ajudem no tratamento e cura das doenças, cuida apenas de proibir aos médicos experiências que podem revolucionar a própria medicina. Assim, fica difícil tornar verdadeiro o CONSIDERANDO segundo o qual “o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. Da mesma forma que o órgão torna letra morta o que diz a Resolução: “CONSIDERANDO a Declaração de Helsinque, referendada pela Resolução CFM nº 671/75, que trata da experimentação científica em seres humanos”.

    Para não alongar as observações, evitando que o assunto se torne maçante, vamos nos ater apenas a mais um CONSIDERANDO da Resolução CFM nº 2.128/2015. Vejamos o que diz: “CONSIDERANDO a falsa expectativa de resultados terapêuticos criada pela publicidade do uso de plasma rico em plaquetas por intermédio dos meios de comunicação;”. Algo contraditório e tendencioso. Se a exposição de motivos afirma que o assunto está em aberto, como afirmar que teria sido criada uma “falsa expectativa”? Por que “falsa expectativa”, se as pesquisas que exigem ainda não foram totalmente realizadas? E se tudo que foi divulgado nos meios de comunicação e que o CFM considera “falsa expectativa” vier a ser comprovado?

    Pois é assim que o CFM e a ANVISA agem. Condenam antes de ter em mãos os elementos necessários à apreciação correta do assunto. Foi assim no caso da auto-hemoterapia, que foi proibida e depois liberada para os anestesistas, através do Tampão Sanguíneo Peridural – TSP. Assim fica difícil a sociedade brasileira acreditar ou esperar decisões corretas, honestas e corretamente baseadas nos princípios científicos, quando o CFM age de forma vulgar e passa os pés pelas mãos. Já que entrou em discussão o Plasma Rico em Plaquetas – PRP, já que o Tampão Sanguíneo Peridural – TSP foi permitido aos anestesistas, já que o próprio portal do CFM vem recebendo centenas de depoimentos de pessoas que estão comprovando a eficácia da auto-hemoterapia, esta é a hora do órgão reparar os equívocos que vem cometendo desde 2007 e estimular a discussão oficial e as pesquisas da AHT em todos as formas já utilizadas.

  3. Roger

    22/07/2016 at 15:27

    Infelizmente com este parecer da maneira como foi elaborado só faz com que milhares de pacientes e profissionais percam a oportunidade de se beneficiar com um tratamento que já comprovou sua eficacia através de “milhares” de artigos publicados em periódicos internacionais de ótimo impacto. Só neste ano de 2016 foram publicados até a data de hoje 398 artigos (fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed). Em países como Europa e Estados Unidos tem uma legislação especifica e já utilizam do tratamento como rotina.
    Só temos a lamentar esta postura do CFM quanto ao tratamento com Pasma Rico em Plaquetas, não deveriam simplesmente restringir, mas, sim promover uma discussão ampla com todos os profissionais que utilizam e elaborar uma normatização para a sua utilização no Brasil.

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